terça-feira, 27 de setembro de 2011

Quando estamos prontos?


Chegamos à metade do projeto de circulação de Pai & Filho contemplado com o prêmio Myriam Muniz de Teatro. Seis cidades (Timon, Teresina, Sobral, Fortaleza, Mossoró e Natal), quatro estados, dezoito apresentações, dezoito debates, cinco oficinas, seis montagens, seis desmontagens, alguns pregos, teatros, hotéis, praias, piscinas, estradas, saunas, mecânicos, restaurantes e o principal: amigos.

Creio que cada um de nós quatro têm impressões e opiniões totalmente diversas quanto às recentes experiências da pequena e seus desdobramentos. No meu caso, a primeira expectativa de pertencer a um coletivo e ver seus espetáculos circulando o pais remonta ao início da década de noventa com O Santo Inquérito do Grupo Ger“Ar-te” de Teatro. O primeiro destino seria São Luís e a peça não passou da primeira apresentação no IV Festival de Teatro Sul-Maranhense. Depois, a serviço do Centro Cultural Ópera Brasil isso se concretizou com óperas e balés viajando pelo Brasil com um número inimaginável de pessoas – mas era uma grande companhia de ópera e não um grupo de teatro. Espetáculos como O Último Discurso, Marat-Sade e Ramanda e Rudá esboçaram a iniciativa, mas este último não passou de Teresina. Trabalhando com uma Cia. irmã – A Máscara – a concretude esboçou contundência e espetáculos como Medeia e Deus Danado ganharam estrada. Somente com a consolidação da pequena é que o fato começou a se formalizar para mim como membro de um grupo e a nossa lógica de circulação começou a ganhar metodologia com viagens de O Acompanhamento e Entrelaços pelo interior do Maranhão. Agora, Pai & Filho nos oferece alguns caminhos, muitas estradas, inúmeras dúvidas, vários festivais, diversas inquietações, alguns prêmios e pouco tempo para avaliar o que conquistamos. Como veem, sonhos demoram a se realizar e demandam uma dedicação que nem todos estão dispostos a pagar: isto separa os artistas de todos os outros loucos que habitam o mundo.
A foto foi tirada por meu primo Fábio Flecha no debate em Mossoró. Apesar do cansaço e das rugas, a expressão não esconde a satisfação de um velho diretor de teatro.

3 comentários:

cris cavalcante e bragança disse...

Quando estamos prontos não sei e talvez nunca saiba, mas sei quando ganhamos folego novo, quando simplesmente recebemos um abraço ou mesmo um simples olhar lhe mencionando como "velhos amigos"(como aconteceu com minha amiga em Natal)de um velho diretor com rugas que não percebíamos e perceberemos diante do que ele representa para nós.

Marcelo Flecha disse...

Obrigado, Cris... São detalhes que fazem valer cada ruga. Apareça!

Flavia Teixeira disse...

linda história essa!