domingo, 19 de julho de 2015

Réquiem para os possessos


Dia 29 de novembro de 2015 iniciaremos o processo de montagem do espetáculo comemorativo aos dez anos de existência da Pequena Companhia de Teatro. Nesse mesmo dia, em 2005, estreávamos o espetáculo O Acompanhamento, de Carlos Gorostiza, que deu origem à nossa companhia. A data de estreia da nova encenação será dia 11 de julho de 2016. Nesse mesmo dia, em 2006, a Pequena Companhia de Teatro recebia seu certificado de pessoa jurídica.

Diferentemente de tudo o que fizemos até hoje, o ponto de partida para a pesquisa do novo espetáculo será a estrutura cenográfica de O Acompanhamento, que servirá, dez anos depois, de suporte investigativo, não para a remontagem do espetáculo, e sim para uma nova encenação, que ainda não possui elenco, nem texto, nem concepção, nem quase nada. Minto, depois de muita negociação de direito autoral, temos também o título do espetáculo: Réquiem para os possessos.

Claro que o título é provisório, tendo em vista que não sabemos nem do que tratará o espetáculo; tão provisório como muitos outros títulos de espetáculos que montamos e que, por afinidade, permaneceram, mesmo a contragosto da cena. O título era o de uma montagem que jamais veio à luz, dirigida por Gilberto Freire de Santana e que Cláudio Marconcine chegou a ensaiar. Nunca li o texto, nem vi ensaios, porém, como sempre achei o título magnífico, aproveito a ausência de tudo para poder usar um título do nada.

Será de onde partiremos: uma estrutura cenográfica e um título. Nossa matéria-prima humana para tal, conta, inicialmente, com dois atores (Cláudio e Jorge), uma não atriz (Katia) e um ex-ator (eu). Nossa matéria prima estética será uma estrutura que nunca saiu do Maranhão e, por falta de cnpjotismos da época, nunca participou de editais, virais, festivais, murais ou jornais fora do estado, mas que foi premiada como instalação no 2º Salão de Artes Visuais de São Luís.

A mudança de paradigma também afetará (imagino) nosso procedimento metodológico, e, apesar de mantermos a construção através do Quadro de Antagônicos, sabemos que essa metodologia também sofrerá transformações, e será uma oportunidade ímpar para problematizá-la.

Também não conhecemos nossos colaboradores. Diferentemente das encenações anteriores, como ainda não temos nem a temática, nossa discussão se dará na construção desses dizeres, e fatalmente, na necessidade de incorporar colaboradores-outros, que não os sempre-membros-da-pequena, ou não.

Tampouco temos recursos para a montagem, assim como não tínhamos quando da montagem de O Acompanhamento; fato que não nos gera maiores preocupações pelo avanço das tecnologias teatrais que fomos desenvolvendo no decorrer dessa década, fruto de importante pesquisa estética com significante otimização de custos.

Como de costume, o blog é o portador das nossas premissas e promessas, e aqui deposito o que sabemos, o que não sabemos, e os riscos que corremos. Tudo é embrião. A Pequena Companhia de Teatro comemora o seu nono aniversário com o espectro de uma programação para o decênio que se finda. Oxalá!

Post scriptum: Clique aqui para ver um ensaio fotográfico inédito da montagem do cenário, realizado por André Lucap, em 2005.

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