quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Conflitos da profissão

As impressões que tenho do fazer teatral repercutem na minha vida fora do palco. Nem sei as motivações de distanciar um do outro, ou aglutiná-los. As personagens não interferem, não é isso, pois não sou louco - não a esse ponto da esquizofrenia -, mas há uma inquietação na busca de um aperfeiçoamento do humano no ator tal qual o ator para com a sua personagem.

E se eu fosse médico, jornalista? Não é do ser. Posso deixar de atuar, distanciar-me do teatro, mas o que se construiu permanecerá.

Pai & Filho marca algumas questões na minha vida - não acredito muito em divisor de águas; não sou tão católico assim. A relação com um grupo, com seus humores, (dis)sabores; uma exigência de rotinas e horários; atividades físicas para prontidão corporal - estou fazendo musculação pela manhã e natação no final da tarde/início da noite; e agora, circular pelo Brasil. Nunca fiz isso, só pontuadamente com "O segredo do labirinto" e "A casa dos velhos". Essa circulação aponta para a maturidade e profissionalização do fazer e uma carga de desejo de mostrar ao mundo o que temos a dizer. Talvez aí resida minha crise. 

Um comentário:

dionisíacas disse...

Esta tudo no trabalho!
Esta tudo no corpo!
na respiração de vocês!

O trabalho só revela
todas as crises
todas as rugas.

O tempo não apaga nada
só revela.

E as vezes não é preciso dizer nada.

As marcas estão.
e aqui me calo.