... o espetáculo VELHOS CAEM DO CÉU
COMO CANIVETES foi selecionado para o 21° Festival Nordestino de Teatro de
Guaramiranga? A Mostra Nordeste, que acontece de 06 a 13 de setembro, recebe
espetáculos de todos os estados nordestinos e a Pequena Companhia de
Teatro será a representante maranhense na edição de 2014. Apesar da recente
estreia, esta será a quinta participação do espetáculo em uma mostra ou
festival de teatro, que já totaliza vinte e oito apresentações.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
domingo, 29 de junho de 2014
Estamos em pleno lar
A retomada das
nossas atividades, depois do recesso provocado pela copa do mundo, dar-se-á dia 21
de julho, com o início da temporada regular de Pai & Filho – pela primeira
vez na Sede da Pequena Companhia de Teatro. Com isso, a configuração espacial
do nosso teatro, área multiuso, sala de tortura, lugar de cena, ou qual alcunha
você queira dar ao salão onde você prestigiou o espetáculo Velhos caem do céu
como canivetes, mudará completamente – confirmando a versatilidade do espaço e
enchendo meu tempo com uma alegria incomum. O tema, e o trabalho que ele demanda,
são meus entretenimentos atuais. Entre um jogo e outro, ou com uma TV a
tiracolo, me divirto reconfigurando o ambiente. Subo as escadas e instalo uma
bambolina aqui, um cabo de aço acolá, uma corda ali, uma arquibancada lá, e o espaço
onde outrora caíra um velho ser alado vai se transformando no ambiente de um
pai enfurecido. O que propomos com a nossa sala de teatro é próximo à vivência
que tive na cidade de Catania – Itália, onde toda a estrutura técnica de maquinaria
(varas, contrapesos, cabos, cordas) foi herança vinda do mar, extraída da
experiência adquirida nas embarcações, quando o teatro, ao utilizar mão de obra
oriunda do porto, sem perceber, assimilava para si a expertise do homem do mar,
com suas cordas, nós, mastros, roldanas e força. No teatro Massimo Bellini,
apesar de ser um clássico teatro de ópera, não existe maquinaria fixa, e toda a
estrutura técnica é montada e remontada de acordo com a necessidade do
espetáculo que será apresentado. Atravessado o Atlântico, essa experiência fecunda
a proposta de uma sala forneada com as mesmas cordas, ganchos, roldanas e nós
que um dia conduziram os invasores da nossa Upaon-Açu. Você não vê,
nem repara, mas por trás de cada apresentação esconde-se um torvelinho de
fatores que tornam o teatro esse incomensurável ambiente de sensações. Mire e
veja.
domingo, 15 de junho de 2014
Teatro & Futebol
O futebol me abandonou, a arte não. No
início da década de noventa eu viajava para Araguaína/TO com uma caixa de
livros, entre eles a prosa completa de Borges – presente que me acompanha desde
1987 –, para dividir uma república com jogadores de um time de futebol cujo
nome minha memória se ocupou de não reter. Nesse então, morando em Balsas, era
atleta e artista simultaneamente, fazendo teatro, música e literatura, há
alguns anos. A rotina de artista, em Balsas, me fazia ensaiar até às quatro da
manhã. A mudança para uma rotina exclusivamente
atlética, em Araguaína, me fazia madrugar às cinco da manhã, para treinar. O
despertador escolhido pelos meus companheiros era um som sintonizado na rádio
local que gritava: eu não vou negar que sou louco por você! Acredite. Deixe
sair aquele sutil sorriso no canto da boca: sim, também tive o sonho de ser
jogador de futebol. Não me pergunte por que motivo, mas este era o meu
principal desejo. Não durou muito, ou seja, o teatro que faço é consequência do
meu maior fracasso. Recentemente, na plateia de Velhos caem do céu como canivetes, um espectador comentava: só conhecia você como o argentino,
cabeludo, bom de bola. Além de estufar meu peito, o fato serviu para confirmar
meus predicados futebolísticos para minha companheira – sempre reticente com
minhas possíveis fabulações sobre o passado. Sim, eu era bom. Considero-me melhor
jogador no passado do que sou encenador no presente – se isso quer dizer alguma
coisa. Por isso, não saberia apontar por que não sou um jogador aposentado.
Talvez a aleatoriedade defendida pelo Ser Humano, personagem do nosso último
espetáculo, seja a única maneira de explicar o encenador de hoje. A
aleatoriedade como que minha vida e trajetória foram constituídas é digna de
nota... O gordo prólogo que aqui escrevo só existe para tentar explicar a
sentença que motiva esta postagem: não acompanharia sessenta e quatro peças de
teatro em um mês de festival, mas assistirei aos sessenta e quatro jogos da
copa sem o menor constrangimento. Mas, como sou uma ficção, não dê muito
crédito às anedotas que constroem o roteiro da minha vida. Y dale!
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Recesso
![]() |
| Do filme "Sonhos", de Kurosawa |
As apresentações estão suspensas. A realização da Copa do Mundo no Brasil sentencia que todos gostam de futebol. Não me espanta. Mês para produzir, pensar, refletir e executar ações adiadas há tempos. Planejamos o próximo semestre: volta de Pai & Filho à cena teatral ludovicense - oportunidade para alguns tantos assistirem a um outro espetáculo. Jorge C. tira a barba e eu a deixo crescer em meu rosto. Muda a energia, as personagens. Os atores são os mesmos; o espaço, não. Primeira vez de Pai & Filho na sede da Pequena. Tudo é muito recente este ano. Mudança de ciclo, amadurecimento, pesquisa. Tenho minhas inquietações e elas repercutem em meus sonhos; muitos sonhos, todos eles emblemáticos. Mesmo gostando de rotinas, a cada ano que passa eles têm se tornado atípicos. Para quem não curte surpresas, estou bem servido delas. Se me queixo? Aguardo o desenrolar das horas. Se sofro? Abraço todas as sensações que meu corpo experimenta.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Esse ator
Se eu sou um tipo, sou do tipo inquieto, e essa inquietude nunca é o suficiente. Buscar sempre, parece-me, é tarefa indistinta de formação: se estou vivo, busco. Contrário disso é a morte, em todas as suas possibilidades. Sempre tenho dúvidas sobre se a profissão do artista chega a ser privilégio ou maldição. Tenho dúvidas também se a minha angústia mais ajuda do que atrapalha. A exigência é desmedida, a ansiedade presente, os processos cíclicos. Não chega a ser um queixume. Os pensamentos evoluem para a palavra escrita. A palavra escrita é manifesto inconteste. Prevalece o dilema entre o de dentro e o de fora. Tudo é acúmulo com possibilidade de vir a ser descarte. Rasgar, colar, emendar, torcer, estirar. O corpo carece de morada e ao mesmo tempo ele é a própria morada. Habitar e ser habitado. O quê nos difere? O quê nos distancia? Assumir a minha unicidade não faz de mim um tolo. Talvez uma descrença tardia na minha incapacidade de recitar um teatro que desacredito como transformador. Quem me transforma? Quem me mobiliza? Esse todo bebo em partes.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
V(ai)(er)dades e mentiras
Para compreendermos as coisas, estabelecemos parâmetros de comparação. Em nossa sociedade tudo é dual; forças antagônicas que nos fazem posicionar entre pois pontos equidistantes: bem e mal; claro e escuro; vida e morte; verdade e mentira.
O teatro envolve a ambos. É ficção, mas espelha sua diegese, suas dramaturgias, na realidade; tem que ser verossímil.
Alguém disse uma vez que as verdades são ditas quando as pessoas que as ouvem, estão dispostas a ouvi-las. Traduzo como maturidade, a ponto de saber ouvir o que não se quer ouvir. O Teatro caminha por aí em duas vertentes, acho. Uma delas é sua forma e conteúdo que atraem ou repelem o espectador. Gostar ou não gostar tem a ver com esse princípio: não se convencem de que era uma verdade; não a compram como tal. Uma história mal contada. Uma mentira. Comumente queremos ouvir verdades; convencionou-se que as mentiras fazem mal. Então, mentir é ruim e não mentir é bom. E quando mentimos para nós mesmos quando comentamos sobre algo que achamos bom, sendo que achamos ruim? Mentiras contadas permanentemente, acabam se transformando em verdades. Daí minha conclusão que quando mentimos para os outros, também mentimos para nós mesmos. A necessidade de verdade no teatro não se restringe aos que estão em cena, mas também aos que espectam. A maturidade necessária para se ouvir a verdade é alicerce para o fortalecimento do movimento teatral num dado espaço e tempo. Quem faz teatro precisa ser criticado, precisa querer ouvir. Quem vê teatro precisa criticar, precisa ser autêntico e menos apaziguador.
Desistir também é uma alternativa.
domingo, 25 de maio de 2014
O prazer de ser autônomo
Hoje acordei às
6h10 da manhã – os poucos que conhecem minha rotina sabem o quanto isso é
improvável. Levantei e fui trabalhar. De casa ao trabalho são dois lances de
escadas, para cima ou para baixo. Trabalhei. Quando o relógio mecânico marcava
8h20, o biológico anunciou que o meu sono voltara. Fiz o trajeto de vinda e
voltei para a cama. Simples assim. Não há nada mais delicioso que a autonomia
de trabalhar, acordar, comer, namorar, dormir, correr, em qualquer ordem, hora
ou dia. Foi a arte que me proporcionou esse privilégio. O teatro.
Enquanto fazia algo do que fiz enquanto acordado, pensava no quão romântico
continuo sendo. Faço teatro porque gosto. A única motivação que me levou a
traçar a minha trajetória foi gostar de fazer o que faço. Se em algum momento
da vida tivesse pensado em sobrevivência, o teatro teria me largado.
Irresponsavelmente, nunca pensei no que é necessário para viver: livros,
comida, água, roupa, luz, telefone, yerba,
internet. Tudo sempre veio a reboque de um desejo, de uma vontade, de uma
necessidade de expressão que só encontrava guarida no teatro. Irresponsavelmente
romântico. Nem o tempo, que promove aquele implacável vergamento do ser,
fazendo-o observar atento o chão que pisa sem poder alçar o voo libertário em
busca do céu, conseguiu aplacar essa irresponsabilidade. Um romântico
irresponsável. Um homem nessa condição não tem direito de protestar – se esse
homem só enxerga seu umbigo e não vê a miséria que o circunda. A propósito,
Velhos caem do céu como canivetes trata dessa miséria que você finge não ver.
Não quer dar pelo menos uma espiadinha? Segunda-feira tem apresentação, às 19h,
em uma Pequena Companhia de Teatro perto de você – e bem mais perto de mim.
P.S.: E antes
que algum gaiato venha contestar qualquer coisa que eu tenha dito ou
contradito, não se esqueçam do principal: eu sou uma ficção.
São Luís,
23.05.2014 – 13h10
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Segundas-feiras
17h30 - Chegada na sede da Pequena Companhia de Teatro.
- [Tenho oscilado esse horário. Comumente chego antes para verificar elementos de cena, limpar as cadeiras]
17h45 - Início do alongamento individual e da passada de texto com o Jorge C.
- [Ficamos no fundo do cenário, entre a coluna e as pernas. Diferentemente de Pai & Filho, cada um segue um alongamento particular, de acordo com as exigências da personagem e do corpo do ator]
18h - Início do aquecimento, utilizando o Quadro de Antagônicos para tal. A passada de texto continua.
- [A minha ordem, comumente, é: velocidade/dilatação/retração/agilidade/dureza/máximo/mínimo/gueixa-feminino/samurai-masculino/leveza/peso/tensão/velocidade]
18h15 - Figurino e maquiagem.
- [Os atores fazem suas próprias caracterizações. Jorge C. me ajuda com a maquiagem das costas e eu o ajudo colocando as asas. Um dia uma delas caiu. eu quis a morte! Percebemos depois que não era minha culpa, minha máxima culpa, mas sim da fita que perdera parte de suas propriedades de aderência]
18h40 - Como uma ou duas maçãs.
- [Em Pai & Filho comecei a criar o hábito de fazer gargarejo com água morna, vinagre e sal. Um equívoco de minha parte. Sensação de ressecamento das pregas vocais. Depois, mudei para as maçãs. São adstringentes. As massudas não funcionam bem. Mas, quando não tem maçã, o espetáculo acontece assim mesmo. Somos cerimoniosos, mas nem tanto]
18h45 - Origem da personagem.
- [Há oscilação no horário para a origem. Depende de muitos fatores. Esperamos o contato de Marcelo F. Iniciamos na primeira batida de Molière. Essa origem é para fazer com que o corpo relembre a forma da personagem, a partir dos antagônicos escolhidos por cada um dos atores. Esse procedimento é repetido igualmente antes de cada apresentação. No meu caso: de pé, fecho os olhos, inspiro e expiro 10 vezes, como se meu corpo estivesse buscando um relaxamento proveniente do cansaço exaustivo do corpo. Na última expiração, elevo meus braços acima da cabeça e na última inspiração deixo-as cair em direção ao chão, juntamente com meu tronco. Ainda de olhos fechados, começo a flexionar meu joelhos tentando elevar meu tronco à posição inicial, mas com uma certa dificuldade, proveniente da fraqueza sentida pelo corpo. Com o tronco elevado, já se estabelece um certo equilíbrio precário decorrente da curvatura da coluna, não muito projetada. A cabeça gira 360º para a esquerda e para a direita. A máscara já começa a se consolidar. A coluna um pouco mais curvada. Dou 10 pulos com uma força mínima a ponto de não conseguir retirar ambos os pés do chão. Abro os olhos. Inclino-me para a direita, elevando o pé esquerdo do chão. Uma força mínima e um mínimo de equilíbrio torna essa ação mais efetiva para que o corpo perceba sua fragilidade. Para mim funciona como uma espécie de termômetro. Repito para o outro lado. Pronto, agora posso andar. Ando pelo banheiro compartilhando o espaço com Jorge C. Começo a oralizar parte do texto. Algumas falas se repetem nesse procedimento: "Cobre teu corpo..."; "Meu pai os arrancou..."; "Estou brincando...". Agacho-me de duas a três vezes, repetindo formalizações de cenas do espetáculo. Entre a segunda batida e a terceira, bebo um copo com água previamente deixado sobre a pia. Ressono um pouco mais. Quando ouço a terceira batida, apago as luzes, Jorge C. abre a porta. Saímos e eu a fecho. Ficamos atrás do galinheiro esperando a sonoplastia. Jorge C. vai para a sua marca. Eu continuo, por detrás da coluna, ressonando e andando de um lado para o outro, até o momento de ir à minha marca.
19h - Início do espetáculo.
20h - Término do espetáculo.
- [Em algum momento volto para casa. Tem noites que feliz, tem noites que triste, tem noite que pensativo. Algumas sensações não são compartilhadas. Há uma necessidade de amadurecimento do sentir, do pensar, a partir da execução a obra. Hoje, as noites de segunda têm estado mais interessantes - como as de quarta-feira. Restam-me alguns dias na semana para eu preenchê-los com arte, com desejo, com ternura]
sexta-feira, 16 de maio de 2014
E como é?
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| Foto de Gilberto Freire |
Ah, os sonhos... Quem não os têm?
Sonhei que queria trabalhar em algo que me desse prazer, se contrapondo à maioria das pessoas que buscam, através do consumo, o motivo para o labor: dinheiro, casa, carro, viagens. Que caminho é esse que escolhemos querendo ser felizes para o resto da vida? Que felicidade é essa que nos faz sucumbir ao cotidiano ou a necessidade de se agitar, executar ações, trabalhar para prover o sustento?
[apaga tudo]
Acordei, como todo os dias. Vontade de ficar em casa. Pensei, por alguns instantes, que precisava me levantar da cama, fazer o que comumente faço e sair de casa, me exercitar. Pensei na virtualidade das redes sociais, no filme Her, nas possibilidades dos equívocos praticados. Pensei muito. Não há porque chegar a conclusões, e hoje é sexta, não quinta. Sou brasileiro, final de semana, descanso.
[reescreva algo]
Editais para ler, projetos para escrever, postagem para redigir. Demandas. Comida no fogo, ração na tigela.
Professor, ator, animador de festas, palhaço de frente de loja. Alugo meu tempo.
[ouça mais música, diriam]
É viver lentamente cada momento, como se a vida não tivesse final garantido, e que as escolhas não foram gratuitas, e que a rotina não é rotina.
O oxigênio se renova, a respiração, mesmo constante, oscila.
[Ser ator?]
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Maio e junho de 2014
MAIO
Dias 02 e 07, das 14 às 17h - O quê o meu corpo tem a dizer? (oficina).
Dia 05, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
Dias 08 e 09, das 08 às 12h - Do épico ao dramático: a transposição de gênero como instrumento de confecção de dramaturgia (oficina).
Dia 12, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
Dia 12, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
Dias 17 e 18, das 14 às 18h - Do épico ao dramático: a transposição de gênero como instrumento de confecção de dramaturgia (oficina).
Dia 19, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
Dias 20, 21 e 22, das 19 às 22h - O quê o meu corpo tem a dizer? (oficina).
Dias 21, 23 e 28, das 14 às 17h - O quê o meu corpo tem a dizer? (oficina).
Dias 24 e 25, das 14 às 18h - Do épico ao dramático: a transposição de gênero como instrumento de confecção de dramaturgia (oficina).
Dia 26, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
Dias 27, 28 e 29, das 08 às 12h - O Quadro de Antagônicos como instrumento de treinamento para o ator (oficina).
Dias 27, 29 e 30, das 14 às 18h - O Quadro de Antagônicos como instrumento de treinamento para o ator (oficina).
JUNHO
Dia 02, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
Dias 03, 04 e 05, das 18h30 às 22h30 - O Quadro de Antagônicos como instrumento de treinamento para o ator (oficina).
Dias 07 e 08, das 14 às 18h30 - O quê o meu corpo tem a dizer? (oficina).
Dia 09, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
IMPORTANTE:
Toda a programação ocorrerá na sede da Pequena Companhia de Teatro
(Rua do Giz, 295, Centro Histórico).
A lotação está restrita a 45 (quarenta e cinco) lugares.
As atividades são gratuitas.
Para agendamento de grupos, gentileza entrar em contato antecipadamente.
Os interessados nas oficinas devem se inscrever antecipadamente aqui.
As dúvidas devem ser sanadas através dos contatos: pequenacompanhiadeteatro@hotmail.com / (98) 3232-6054 / 8133-2172 / 8771-7085.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Novos ecos...
a desesperança no palco é espelho para a desesperança dentro, ao redor e fora da
ilha, mergulhada numa ausência de planos, horizontes, luzes. o espetáculo 'velhos
caem do céu como canivetes', que finalmente fomos ver ontem, é dessas
experiências que vão com a gente para casa a nos fazer pensar, rever, ressignificar,
repensar, reagir... a renúncia à ação, aos projetos, à vida. um deixar-se ficar
com ou sem asas. a simbologia do voo atirada no lodo do mangue e da morte. e ao
final, luzes acesas, a certeza de que é na arte que estão as asas que nos
elevam e nos levam à ação, ao movimento... arte é vontade, desejo, fome de viver
e ao mesmo tempo alimento. livremente inspirado no conto 'um senhor muito velho
com umas asas enormes', de gabriel garcía márquez, o espetáculo apresenta em
cena o grande teatro mínimo a que se dedica a pequena companhia de teatro.
palmas para marcelo flecha, jorge choairy, cláudio marconcine e kátia lopes. permanece
em cartaz até junho, às segundas-feiras, sempre às 19h, no casarão da companhia
(rua do giz).
Andréa Oliveira
Ontem
fui ver o espetáculo “Velhos Caem do Céu como Canivetes” da Pequena Companhia
de Teatro, sai de lá com a certeza de que estão no caminho certo, como trabalho
com iluminação, vou tecer elogios para as excelentes soluções encontradas para
os momentos, a sincronia perfeita , beleza e leveza das passadas das cenas,
tudo num só ritmo, encanto-me ainda pela luz alternativa, a qual venho
estudando ultimamente. Obrigado Marcelo Flecha por esse momento, aos atores
Claudio Marconcine e Jorge Choairy estão excelentes e a produtora Kátia Lopes
que nos recebe como sempre, muito bem. A Pequena Companhia de Teatro merece
tudo, que venham mais prêmios e outros incentivos. Aplausos.
Julio Cesar da Hora
Este
é o título do espetáculo teatral em cartaz na sede da Pequena Companhia de
Teatro, situada na Rua do Giz, quase X com a escola de Música Lilah Lisboa, no
centro da cidade (o endereço completo publicarei depois).
Sendo
uma adaptação livre do conto “UN SEÑOR MUY VIEJO COM UNAS ALAS ENORMES”, de
Gabriel Garcia Marquez, o texto, assinado pelo encenador Marcelo Flexa, tem
momentos de rara beleza: de humanidade e de fina ironia.
O
elenco de dois atores tem um equilíbrio cênico bastante bom. Jorge Choairy, o
velho que caiu do céu, com sua atuação quase irrepreensível, faz um perfeito
contraponto dramático com a encenação um tanto caricata de Claudio Marconcine,
que interpreta o “ser humano” comum. E a carpintaria é sensível e de boa
plástica...
Bem,
isso aqui não é um release, tampouco uma crítica, é apenas um comentário
despretensioso de um espectador, que na noite de ontem esteve lá para ver e
aplaudir esses bravos rapazes e uma moça, que, antes de tudo, protagonizam uma
verdadeira façanha que é fazer teatro de qualidade nesta província onde o folk
lore domina as atenções de todos os daqui e dos que vão chegando.
(A peça fica em cartaz até o mês de junho, com
apresentações todas as segundas, às 19 horas. Eu recomendo fervorosamente!)
Luis Mello Neves
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Formação
Não me sinto seguro, preparado para algumas atividades. Uma delas é atravessar o Canal da Mancha nadando. A outra, é ministrar atividades de formação.
Foto de Marcelo Flecha
A primeira, nunca fiz. A segunda, algumas vezes. Sentia-me despreparado, com uma certa restrição, um certo temor acerca da desnecessidade do ato.
As mudanças que sempre acometem minha vida não se furtaram em somar as formações a esse rol. Hoje não chega a ser um fardo, mas uma espécie de estufa em que algumas semente são gestadas. Não falo especificamente das pessoas que participam, mas sim do conteúdo adotado por mim, meu processo de elaborar pensamento, articular ideias.
Nada é inventado. Passa por uma espécie de crivo de recepção e formalização. Reinventa-se o conteúdo e o procedimento. Nada é novo e ao mesmo tempo continua a ser atrativo. Lembro de muita coisa que foi importante e significativa em minha vida. São as importantes que ficam, aquelas que não caducaram, que não envelheceram. E conhecimento é coletivo. Não dá para sentenciar quem é a mãe ou o pai da criança, mesmo sabendo que a identificação do conteúdo e do método é quase automática para alguns.
Outra questão, é pensar que temos o domínio da situação e elocubrar sobre os desdobramentos. Nessa perspectiva, tudo torna-se inútil e desnecessário.
Estou me reinventando nas atitudes, nas situações, nos incômodos, no ofício. Tudo faz sentido.
domingo, 27 de abril de 2014
Leituras dramáticas
No dia
11 de março de 2009 a Pequena Companhia de Teatro realizava sua primeira
Leitura Dramática, buscando estabelecer essa prática como mecanismo de
instigação criativa e posterior inter-relacionamento entre artistas amigos – apesar
de exercitarmos leituras esporádicas desde 2005, foi nesse dia que iniciamos um
ciclo mais efetivo.
O objeto de leitura do
dia foi a Valsa N° 6, de Nelson Rodriguez, por Jorge Choairy.
De lá pra cá,
diversos amigos passaram pelo pequeno palco e saboreamos juntos de momentos incomuns
que ficaram plasmados em nossa memória afetiva e corporal.
Agora, o projeto
Teatralidades propõe alargar essa experiência e estendê-la a companhias de
teatro da cidade com as quais tenhamos uma identificação ou apreço mútuo.
A ideia
conceitual não muda: separar um momento para o diálogo com amigos que se
encontram forneando a experiência de produzir em coletivo, alavancando o teatro
de grupos maranhense.
Diferentemente das experiências anteriores, as Leituras
Dramáticas do projeto Teatralidades serão abertas ao público gratuitamente,
aumentando o alcance da experiência e robustecendo o intercâmbio com o
espectador, contudo, a atividade se fundamenta na possibilidade de diálogo
entre os pares, seus processos, seus mecanismos de trabalho, seus dilemas,
sabores e tensões.
A partir de maio, na última sexta-feira de cada mês, uma
companhia, grupo ou amigos artistas realizarão leituras de textos da
dramaturgia contemporânea, e nós os ciceronearemos para que a experiência seja
leve, prazerosa e produtiva.
Abriremos nossa casa com o intuito de que esses
coletivos possam estabelecer uma familiaridade com o ambiente, possibilitando a
experiência de experimentar nosso palco, conhecer nosso espaço, aumentando as
chances de que venham a apresentar seus trabalhos aqui em breve. É um pequeno
gesto. Uma ideia. Cabe a quem quiser se arriscar responder ao aceno.
terça-feira, 22 de abril de 2014
O olhar de quem especta
Caro
Marcelo,
Finalmente
ontem, depois de tanto esbravejar com a Lei de Murphy, com os corpos celestes e
com as entidades divinas, consegui assistir ao espetáculo Velhos Caem do Céu
Como Canivetes. Enquanto aplaudia aquela brilhante produção, tentava me
recompor do estado de êxtase que me fora proporcionado. Não o êxtase da
alienação, não o “não saber de mim”; mas um outro tipo de êxtase: o êxtase da
espectadora encantada. Lembro-me de ter visto partes daquele cenário quando
daquela agradável conversa que tivemos sobre o Quadro de Antagônicos, na época
em que eu escrevia meu TCC. Agora ali, com os atores e a luz, nem pareciam mais
os mesmos objetos. Foi como se, de repente, aquela cena fosse o outro lado do
espelho... Pois bem, vou deixar de meus devaneios poéticos e antipáticos.
O
espetáculo me fez pensar acerca de muitas coisas. A primeira delas, e talvez a
mais importante ou a que resume as demais, é a potência do discurso teatral, e
a multiplicidade de escolhas que o geram. Fala-se de muita coisa durante a
peça, mas o ponto para o qual tudo converge é um só: o ser humano e sua
existência – seja ela miserável ou não, falida ou não. Fico pensando sobre os
últimos bons trabalhos que vi, e me dou conta de que esse é um tema muito bem aproveitado
quando – parafraseando você – se tem algo de importante a dizer. Importante só,
não. Visceral. Claro que alguém pode retrucar: mas e o ser alado? A história
dele não conta? Pra mim, o que parece é que o ser alado é tão humano quanto o
ser humano. Crescem nele, espelhadas, todas as inquietações humanas. Já não há
esperança para ele, e ainda assim, ele espera. Sabe que é um pária, e ainda
assim, quer voltar. Que maior e mais fino retrato da miséria humana, senão
esse? Outra coisa que fiquei pensando bastante foi a ausência de um
tempo-espaço bem delineados. Veja, não estou dizendo que não existem, estou
dizendo que pra mim pareceu que a peça acontece em "qualquer lugar",
a "qualquer tempo" (mesmo as latinhas de Jesus não me deram a
sensação de um pertencimento geográfico, e sinceramente, achei isso bárbaro!).
Na verdade, é como se fosse um instante de suspensão. Talvez o delírio do ser
humano, que vê uma galinha-anjo-morcego acabe chegando tão perto de mim que eu
não vejo ou não quero ver onde e quando esse delírio acontece... Quem sabe?
Talvez
o fato de conhecer o texto no qual a peça foi inspirada tenha ampliado em mim
alguns direcionamentos de olhar. O fato, por exemplo, do ser humano não ter se
espantado com um ser alado caído em seu quintal remete à uma das primeiras
partes do texto de García Márquez. Conhecer esse detalhe talvez tenha feito com
que eu admirasse o trabalho ainda mais, pois o autor de Velhos... parece ter
encontrado soluções simples, físicas e sutis para os ditos e não-ditos do autor
do primeiro texto. As cores do espetáculo também são de uma beleza... Não só a
cor da luz, mas a cor dos elementos de cena, a cor das personagens, a cor do
tapete que delimita o espaço. Sobre isso, tenho uma questão: como você chega à
cor nos seus espetáculos? Sempre vejo trabalhos com iluminações lindas, mas na
maioria das vezes, ou isso vem de uma incrível sensibilidade, ou de muita
sorte. Mas e com vocês, como acontecem essas escolhas? Para os olhos, acaba
sendo também uma festa, uma vez que as cores se afinam. Mas por falar nisso,
nada me pareceu mais afinado que a movimentação dos atores. Na fala de alguém
durante o debate, “a peça é um verdadeiro balé”! É como se a relação dual não
ficasse somente nos personagens e em seus antagonismos, mas também na própria
imagem do espetáculo e na forma como os atores se deslocam pelo espaço, dando
ao espectador a compreensão de dois mundos distintos, que ora se atraem, ora se
repelem. O mundo do ser humano e do ser alado? Também. Mas principalmente o
mundo dos que creem e dos que não creem. Dos que esperam e dos que desesperam.
E se parecem completamente diferentes a uma primeira vista, conforme a história
acontece percebemos que essas diferenças têm a razão de serem contraditórias –
pra eles e pra nós. Sim, pra nós. Porque os velhos caem do céu como canivetes
não só no quintal de um ser humano descrente e sonâmbulo, mas cai no quintal
dos espectadores também. Acaba se tornando um morcego sideral dentro do nosso
espaço de existência também.
A
propósito, não decidi o que fazer com aquele ser alado. Uma galinha? Um
delírio? Um anjo? Um norueguês? Um morcego sideral? Talvez eu decida, talvez
não. Por enquanto, pra mim, ele é dúvida, mesmo quando crê.
Saúde,
luz e paz. E vida longa à Pequena.
Rute.
domingo, 13 de abril de 2014
Você é espectador de teatro?
Estamos
em cartaz com o espetáculo Velhos caem do céu como canivetes – Prêmio SATED nas principais categorias – toda segunda-feira,
até 09/06, às 19h, na nossa sede, Rua do Giz, 295, Praia Grande.
A Pequena Companhia de Teatro ausentou-se com o espetáculo Pai & Filho durante
mais de três anos, por apresentações demandadas em todo o Brasil por projetos do SESI, SESC,
FUNARTE etc., que garantiram a trajetória do espetáculo até aqui.
No decorrer desses anos recebemos uma constante cobrança de pessoas que nos
inquiriam quanto ao retorno das apresentações em São Luís e reclamavam que ultimamente nós só nos apresentávamos fora daqui. De fato, Pai & Filho fez 109 apresentações, delas, somente cinco na ilha. Pensando nisso, invertemos a
ordem. Nossos projetos priorizaram inicialmente as temporadas regulares locais
e somente depois os deslocamentos. Claro que não podemos reclamar. Desde a
estreia, as dezenove récitas de Velhos caem do céu como canivetes tiveram
praticamente casa cheia, contudo, agora – desde segunda passada – iniciamos a
temporada regular, possibilitando a apreciação do espetáculo para quem quiser, por
praticamente três meses. Serão outras nove apresentações. Sendo a lotação de
cinquenta lugares, garantimos a fruição gratuita a um espetáculo teatral para
500 espectadores. Tratando-se de uma cidade com um milhão de habitantes só
conseguimos disponibilizar acesso a 0,05% da população. É pouco, contudo, é
mais do que suficiente. Só resta saber se você estará entre os 99,95% só para
poder perguntar sobre novas apresentações. Garanto que o espetáculo fará mais
de cem, porém, infelizmente, sei que serão longe daqui. Depois não me venha com
grê-grê pra dizer Gregório.
domingo, 30 de março de 2014
Telmah e o enfastiado
Retornei
hoje de Mossoró, após assistir a estreia da Viagem aos Campos de Alfenim,
espetáculo da querida Cia. A Máscara de Teatro. Como sempre, qualquer movimento
que altere minha rotina provoca reflexões, que direi encontrar, prestigiar e
conversar com amigos tão queridos. Há algum tempo decidi abandonar a
condescendência. Como espectador, não serei mais aquele que pondera, que
analisa, que justifica o injustificável. Quero ser arrebatado. Seja pela
temática, pela estética, pelo desempenho, pela totalidade, ou até mesmo pela
amizade, mas quero ser arrebatado. Quero ser removido do patético lugar que
ocupo no mundo, e ser chacoalhado, seja por um beijo heroico, por um chute no
traseiro, por um chiste embaraçoso ou pela inesperada despretensão de quem
aponta na galinha e acerta o pavão. Desisto de buscar explicações ou elucubrar
justificativas para tentar gostar daquilo que não gostei. Como espectador, não
quero mais completar o trabalho do artista. Não quero remediar a ausência de
potência de uma obra com um argumento intelectualmente preciso que cumpra
apenas o papel de amenizar meu constrangimento com o insossado sabor do que vi.
Não quero mais conviver com a dificuldade de admitir que não gostei. Não quero
mais provar do meu próprio engodo reflexivo para amenizar minha culpa cristã
por não ter gostado de um espetáculo. Deixo a razão para a ciência. Pela arte,
quero ser arrebatado. Por que estou falando tudo isso? Anteontem, depois de um
bom tempo, voltei a me emocionar ao ver um espetáculo. Não sei porque, nem me
interessa, mas agradeço.
sexta-feira, 21 de março de 2014
Abril de 2014
- Dias 04 e 05, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes - 9ª Semana do Teatro no Maranhão (espetáculo teatral).
- Dia 07, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
- Dias 08, 09 e 10 - O quê o meu corpo tem a dizer? (oficina).
- Dia 14, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
- Dia 15 - Do épico ao dramático: a transposição de gênero como instrumento de confecção de dramaturgia (oficina).
- Dia 21, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
- Dias 22, 23 e 24 - O Quadro de Antagônicos como instrumento de treinamento para o ator (oficina).
- Dia 28, às 19h - Velhos caem do céu como canivetes (espetáculo teatral).
- Dias 29 e 30 - O quê o meu corpo tem a dizer? (oficina).
IMPORTANTE:
- Toda a programação ocorrerá na sede da Pequena Companhia de Teatro (Rua do Giz, 295, Centro Histórico).
- A lotação está restrita a 50 (cinquenta) lugares.
- As atividades são gratuitas.
- Para agendamento de grupos, gentileza entrar em contato antecipadamente.
- Os interessados nas oficinas devem se inscrever antecipadamente aqui.
- As dúvidas devem ser sanadas através dos contatos: pequenacompanhiadeteatro@hotmail.com / (98) 3232-6054 / 8133-2172 / 8771-7085.
Como se inscrever?
A Pequena Companhia de Teatro está abrindo inscrições gratuitas para as suas oficinas de formação - uma das ações do projeto Teatralidades - graças ao Prêmio Myriam Muniz de Teatro da Funarte/Minc/Governo Federal, bem como do Programa BNB/BNDES de Cultura.
Serão 3 (três) oficinas, distribuídas em 12 (doze) turmas, em diferentes dias e horários, nos meses de abril, maio e junho, dentro da primeira etapa do projeto Teatralidades. Depois da Copa divulgaremos a segunda etapa.
Oficina A: Do épico ao dramático: a transposição de gênero como instrumento de confecção de dramaturgia (8h)
Oficina B: O quê o meu corpo tem a dizer? (9h)
Oficina C: O Quadro de Antagônicos como instrumento de treinamento para o ator (12h)
Oficina C: O Quadro de Antagônicos como instrumento de treinamento para o ator (12h)
As inscrições deverão ser feitas, gratuitamente, através do preenchimento de um formulário que se encontra aqui. É importante colocar a disponibilidade de tempo para que os horários das turmas sejam confirmados. Assim, teremos oficinas acontecendo nos 03 (três) turnos, a depender a sua escolha.
Paralelo às oficinas de formação, nesta primeira etapa, também estaremos desenvolvendo: Apresentação do espetáculo Velhos caem do céu como canivetes, às segundas-feiras, às 19h e Leituras dramáticas com companhias de teatro residentes em São Luís, na última quinta-feira de cada mês (menos no mês da Copa), às 19h.
Na segunda etapa tem mais!
Qualquer dúvida, entre em contato:
(98) 3232-6054 / 8133-2172 / 8771-7085
quarta-feira, 19 de março de 2014
Segunda-feira
Dia
07 de abril de 2014 começa a temporada regular de Velhos caem do céu como canivetes pelo projeto Teatralidades, contemplado com o Prêmio FUNARTE de Teatro
Myriam Muniz. Isso. É uma segunda-feira. Durante as próximas dez segundas-feiras
você terá a oportunidade de assistir ao novo espetáculo da Pequena Companhia de
Teatro. Aproveite. Lembre que Pai & Filho já fez cento e nove apresentações
e você ainda não viu. Não vá, depois, se arrepender e ficar nos inquirindo:
quando é que vocês vão apresentar Velhos caem do céu como canivetes de novo?
Você tem dez chances, até dia 09 de junho. — Ah!, mas eu queria ver Pai & Filho!
Espere até o segundo semestre, por enquanto, Velhos Caem do Céu como Canivetes
é o que tem, pra segunda. Por que segunda-feira? Porque qualquer dia da semana
é uma excelente desculpa para não ir ao teatro. Terça não dá, é ímpar. Quarta é
ruim, meio de semana, futebol. Quinta é véspera de fim de semana, contramão
para teatro. Sexta é dia de balada. Sábado, rebolada. Domingo, praia. Segunda,
ressaca. Como veem, qualquer dia é ruim se o programa for teatro, portanto, por
que não na segunda? Detalhe: TODAS AS APRESENTAÇÕES SERÃO GRATUITAS. Bastará
chegar na sede da Pequena Companhia de Teatro no dia de cada apresentação e
pegar seu ingresso na hora. O espetáculo começará impreterivelmente às 19h. A
partir deste projeto voltaremos com a nossa política iniciada com O Acompanhamento
de começarmos as apresentações pontualmente. Não haverá tolerância. Por quê?
Acreditamos que é uma maneira de contribuir com a formação de uma plateia mais
atenta e delicada. O endereço você já sabe: Rua do Giz (Vinte e Oito de Julho),
295, Praia Grande. Então, vamos ao teatro?
domingo, 9 de março de 2014
De volta ao trabalho
Hoje é meu último
dia de férias. Foram quatro meses e meio de ócio, com duas pequenas
interrupções, uma em dezembro, para as apresentações de Velhos caem do céu como canivetes em Imperatriz, e outra em janeiro, para uma apresentação na Conexão
Teatro. A extensão das férias foi diretamente proporcional ao ano de 2013, um
ano intenso, violento e duro. Durante as férias voltei a dormir até uma da
tarde – qualidade que pensava haver perdido e creditava à idade, quando o verdadeiro agente fora a exaustão –, fizemos, Katia e eu, algumas viagens, escrevi para vocês com
certa regularidade, ordenei e faxinei casa, atelier, teatro (ainda me devo o bendito
escritório/recepção), atualizei leituras, escrituras; um quadrimestre sabático.
Amanhã faremos
nossa primeira reunião do ano e as novidades são muitas. O projeto
Teatralidades, que recebeu o Prêmio FUNARTE de Teatro Myriam Muniz 2013,
oferece muitas novidades para a rotina da Pequena Companhia de Teatro e, por
consequência, para seus aficionados. O projeto prevê oito leituras dramáticas,
e convidaremos companhias de teatro locais para realizarem-nas aqui na sede,
momento de intercâmbio importante para nós, depois de passarmos os últimos anos
um pouco distantes por exigência da agenda externa dos nossos espetáculos e oficinas.
Outra atividade que servirá para oxigenar e emaranhar nossas relações artístico-afetivas
será os dois seminários previstos – fóruns para discussões sobre teatro de
grupo, crítica teatral e formação de plateia. Exercício experimentado em 2006
com O Acompanhamento, a Pequena Companhia voltará com temporada regular dos
seus espetáculos na sede, hora de poder ver e rever "Pai & Filho" e "Velhos
caem do céu como canivetes", além do espetáculo-solo de Cláudio, ainda por estrear
– na sede da Pequena Companhia de Teatro haverá uma apresentação teatral por
semana, esteja você ou não. Quer atividades de formação? Também tem. Tanto pelo
Teatralidades quanto pelo projeto A ótica da Pequena, patrocinado pelo Programa
BNB de Cultura. Ministraremos as oficinas O Quadro de Antagônicos como instrumento de treinamento para o ator, Do épico ao dramático: a transposição de gênero como instrumento de confecção de dramaturgia; O quê o meu corpo tem a dizer, e O elemento e a cena.
Essas
muitas ações têm por objetivo aumentar a integração da Pequena Companhia de
Teatro com a sua comunidade, consolidar nossa sede como espaço de aprimoramento
teatral e estimular o diálogo entre nós e os outros. Pertencimento. Um emaranhado de atividades para acentuar o enredamento da Pequena Companhia de Teatro com a cidade. Um ano assim exige um
descanso preventivo.
sábado, 1 de março de 2014
Uma pergunta
Quem acompanha o
nosso blog sabe que frequentemente estamos publicando artigos sobre o Quadro de Antagônicos, que é o principal instrumento da nossa metodologia de trabalho, e
sobre o qual tentamos teorizar a mais de uma dezena de anos. Contudo, alguns
episódios recentes me trazem à reflexão que desenvolvo hoje e que espero me
ajudem a aprofundar. O Prof. Ms. Abimaelson Santos publicou sua tese de
mestrado onde um dos exemplos elucidários do seu objeto de estudo é a
metodologia supracitada. A revista DRAO, publicada recentemente, contém um
artigo de minha autoria que trata da mesma. De férias no Rio dei uma entrevista
para a atriz Carlla Amorim para seu pré-projeto de mestrado que visa um
aprofundamento mais intenso sobre o Quadro de Antagônicos. Esses três acontecimentos
que muito nos honram, e nos levam a acreditar que o nosso fazer contribui para
a análise dos caminhos percorridos pela investigação teatral maranhense, também
me fazem indagar sobre o alcance e eficiência da teoria na busca de reproduzir
uma prática. O que desenvolvo agora tem muito a ver com minha experiência
primordial de leitura de livro técnico-teórico, narrada aqui. É possível
descrever literalmente uma prática e dar cabo da captura do objeto, seus
objetivos, metodologia e problemas? Sempre que li livros técnico-teóricos sem o auxílio
de um mediador – mestre, autor, pesquisador, prático etc. – fiquei com a sensação
de não chegar nem perto do postulado experimentado por seu criador quando do
desenvolvimento de uma teoria a partir de uma experimentação prática. Entendem
o que quero dizer? Na verdade, o que faço não é refletir, e sim, perguntar. A
escrita pedagógica é capaz de traduzir um gesto, um aceno, um suspiro? Sei que
a literatura consegue, e me delicio a cada descrição desenvolvida por cada um
dos escritores que construíram meu imaginário literário, entretanto, pergunto:
a escritura técnica pode dar cabo da análise objetiva de um objeto carregado de
subjetividade como a arte? Continuo a semear indagações. Teoria e prática, eis
a questão – uma dentre tantas que perturbam meu juízo.
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