domingo, 9 de junho de 2013

Velhos e a estética do feio

A montagem de Velhos caem do céu como canivetes vem possibilitando o aprofundamento no que se denominou anteriormente aqui como a estética do feio. O desafio está em não tornar o feio bonito, e sim, mantê-lo feio e interessante. Explico: o Ser Humano, anti-herói do novo espetáculo, é um catador de lixo e pretenso artista plástico, medíocre e frustrado. A qualidade estética do espetáculo deverá ou deveria acompanhar essa premissa sem escorregar para um abrandamento estético que dilua seu estranhamento e favoreça a aceitação visual do olhar padronizado – olhar acostumado à admiração do belo e à censura do feio. O resultado precisa estar no limiar desse paradigma, deslocando o olhar do espectador para um lugar novo, onde o visto reverbere no humano ser, sem o apelo insípido do belo. Contudo, a encenação deve também oferecer uma unidade estética que potencialize as três dramaturgias que costumamos chamar de capitais, oriundas do tripé autor → ator ← encenador. Para tal, a obviedade de um caleidoscópio sujo, gritante e desconexo apresentaria um resultado meramente estético e de pouco valor dramatológico. Limiar. Essa é a palavra. O difícil trânsito pelo limite, pela beira, pela borda, pela margem. Difícil tarefa. Como todas são quando o tratado é o ato teatral. Afinal, teorias e ladainhas à parte, o que você quer ver é um bom espetáculo.

4 comentários:

Xico Cruz disse...

Já desejo tanto ver!
Sucesso Marcelo, sei que vai ser lindo.

Beijo
Xico

Marcelo Flecha disse...

Valeu, Xico!! Mas tu é troncho, hein? Aquele dia fiquei a tarde toda te esperando e você tentando achar a casa!(risos)

TonySilvaAtriz disse...

Bom ler você com seus comentários e palavreados bonitos que chega encantar a gente.Eu sou eterna encantada por você. Sei que esse espetáculo será tão bonito e legante como os outros,milimetricamente sonhado e responsavelmente pensado e estruturado.Saudades muita meu capitão.Pois é Chico você não encontrou a casa dele?Não! ele mora nas nuvens de sonhos e é embalado pelos ventos das madrugadas frias,ninado pelos pássaros da
manhã ensolarada do amor ao som dos encrespar das ondas.É bem ali esse lugar.

Marcelo Flecha disse...

Querida amiga! Suas palavras só aumentam minha saudade e o desejo do reencontro... A vida tem conspirado para que nossos encontros sejam esporádicos demais para meu coração... Mas não desistirei!