domingo, 15 de maio de 2011

Sobre o raciocínio científico e artístico

Estou na academia e não puxando ferro. O fato, não fosse o pensamento que aqui desenvolvo, seria banal. Creio que há vários tipos de raciocínio, entre eles, o científico e o artístico. O raciocínio artístico é sempre caótico, ou deveria ser, enquanto o raciocínio científico é organizado. Como estes podem ser compatíveis? Ao treinar o raciocínio para que seja o mais organizadamente estruturado possível, como poderemos utilizá-lo de maneira caótica para a composição artística? Entendem o que quero dizer? A academia pode comprometer a capacidade artística? A arte pode comprometer a capacidade científica? Bobagem? Quantos artistas conhecemos que, depois de imersões acadêmicas, perderam as qualidades artísticas? Quantos acadêmicos não voltaram depois de imersões artísticas? Quantos coadunam os dois fatores? Como conciliá-los? Quanto há de exagero academicista em diversas obras de arte? Quantas obras, ditas de arte, precisam urgentemente de um auxílio acadêmico? Com quantos paus se faz uma canoa? Perguntas.

17 comentários:

diariodoandre.com disse...

Está aí um conflito grande. O diálogo sempre foi difícil. Umberto Eco virou escritor depois de ser cientista e foi esculhambado. Será que tua pergunta não é? Fazer um curso científico de teator vai matar o teu teatro? Se pode atrapalhar ou completar-se é claro que pode. Pode ser bom para um, ruim para o outro sempre. O importante - acho - é a postura, a atitude, a reflexão; a não permissão de tudo e não aceitação complta; a dúvida constante, a reavaliação. Não te preocupa, Marcelo; Aproveita a liberdade do teatro (artística) para quebrar qualquer grilhão que qualquer ciência ou regra possa querer te prender.

Flavia Teixeira disse...

Graças a "Deus" vc está entrando com uma vivência que faz diferença! Vc sabe onde vai pisar. Nada vai morre a não ser que vc relmente queira que morra e nada vai viver caso você não permita. Torço para que vc deixe que algumas mortes aconteçam e a vida também! Aproveita garoto!
que vc tenha grandes deslocamentos!

André Lucap disse...

formar-se, ter filhos: tarefa fácil.

XICO CRUZ disse...

Quando eu tiver meu doutorado em teatro, vou parar de fazer teatro. A academia rouba muita coisa de nós, uma delas é o tempo, conheço tantos que entraram pra eternidade academica e nunca mais fizeram arte.

Pequena Companhia de Teatro disse...
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Cláudio Marconcine disse...

faça como eu: puxe ferro.

Flavia Teixeira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Flavia Teixeira disse...

"L I C E N C I A T U R A"!rs
O bom (ou mal sei lá!) é que sempre vai ter alguém pra lembrar qual é o nosso lugar!rs

Gilberto Freire de Santana disse...

Meu caríssimo irmão-amigo,
Como diria Chico Buarque: ‘Tem dias que a gente se sente / Como quem partiu ou morreu”. De início, afirmo que acho totalmente pertinente os perguntares das almas inquietas, pois são elas que fazem o mundo ser um pouco pior, principalmente nestes momentos vividos no qual os pretensos relativismos pós-modernosos, sentenciam um ‘vale tudo’ nas artes e, por conseqüência, nos corredores acadêmicos. Confesso, desde já, que prefiro a última pergunta, ela é mais contundente e profunda (merecedora de infindáveis análises, rsrsrsrsrs). Evidente que diretamente me sinto imerso, não no tom acusatório marconciniano de ter me tornado um ‘funcionário público’, mas por fazer parte de uma (como professor) e por outro lado, ter, por vários momentos, feito (irresponsavelmente) incursões artísticas e das quais não abro mão, de algum dia, realizar outras. Portanto, não me sirvo como qualquer espécie de exemplificação. E, por conseqüência, sem respostas precisas. No entanto, não existe impedimento de pensar sobre. Vejo que a questão numa perspectiva de POTÊNCIA. Isto é, se você é um artista ( concordo quanto ao processo caótico de criação, onde não existem normas fixas e tudo mais) e entra para a academia, o máximo que ela vai fazer, dentro de sua busca de estruturar o pensamento, é possibilitar organizá-lo (se isso é possível) melhor. No entanto, como processo para a criação artística, de fato, necessariamente não possibilitará ou definirá novos rumos para a criação. Ela possibilita, com todos os seus senões, um maior estofo para conversar sobre, mas nunca para, infelizmente, de fato, o fazer. Porque ela está, exatamente, à mercê do que é produzido no e além dos corredores. O problema que os corredores se esvaziaram. (E não vou culpar o advento do ar-condicionado na sala de aula). E aí volto à questão da POTÊNCIA, quem é, pode através do conhecimento fazer os seus vôos (e estes independe da academia), por outro lado, não há a necessidade do descarte, a academia pode contribuir da mesma forma que um livro possibilita, ou ver uma peça de teatro, ouvir uma boa música, etc. Quem é, pode ganhar muito se não cair na armadilha de se tornar um ‘estudioso’, ou se deixar encantar pelos ‘meandros do pensamentos’ e não fazer mais nada do que isso (o que é um grande senão para a própria academia). Portanto, por uma questão de potência, quem é ARTISTA, só terá mais um reconhecimento do seu fazer. Quem FAZ DE CONTA QUE É E TERMINA ACREDITANDO QUE É, vai usar todos os teóricos (vomitados e regurgitados) para explicar o seu fazer. E, comumente, a explicação é muito melhor que a obra em questão. A academia não forja o ser artístico se o dito não é. Quem é, pode ser mais um caminho, até mesmo para quebrar uma imagem de que não é uma lâmpada de Aladim. Mas afinal, com quantos paus de faz uma canoa?

Marcelo Flecha disse...

Com Cláudios, Andreses, Flávias, Xicos e Gilbertos!!!

XICO CRUZ disse...

com flexas...

Elizandra disse...

A mente dos que agem é um turbilhão... mas eles continuam agindo. E tu és um deles. Beijos!

Marcelo Flecha disse...

Estava sumida dos comentários! Será que é porque lhe devo dois livros?? rsrsrssrsrsr

Sandro Fortes disse...

Mais uma questão, entre tantas questões: a academia, assim como qualquer outra coisa que distraia ou desvie o foco de quem cria, pode impedir que o talento de um artista genuíno se manifeste?

Muitos dos principais escritores americanos da atualidade, Philip Roth, por exemplo, são acadêmicos e autores renomados. O problema é que no Brasil a academia parece secar a fonte criativa de muita gente.

Por que será? Nossos maiores autores preferiram o jornalismo ou o serviço público a viverem enfurnados nas nossas academias.

Carol Mello disse...

ai gente, essas perguntas me deprimem!!!

Marcelo Flecha disse...

Não se deprima, nem se reprima... (risos de uma música que não é do seu tempo)rsrsrsrsrrs

Layla disse...

A ignorância é uma benção.