sábado, 7 de maio de 2011

Ofício e exercício

Sou diretor, ou encenador, como queiram (mesmo estudando, entendendo e utilizando a evolução teórica desta nomenclatura para distanciá-la dessa, creio se tratar de um modismo. Nos anos 70 havia encenadores e nem por isso eram tratados por outro termo que não o bom e velho diretor, mas, enfim). Este é meu ofício. Agora, os exercícios que pratico para me tornar um melhor diretor são inúmeros e respondem por títulos como: dramaturgo, teatrólogo, cenógrafo, iluminador, figurinista, artista plástico, fotógrafo, músico, compositor, poeta, blogueiro e o escambau. Eu disse exercícios. São Luís tem uma tradição rançosa e provinciana de compartimentalizar a arte e seus fazedores. Nunca aconteceu comigo, mas estou cansado de ouvir referências a fazedores de uma arte que ousaram se aventurar no terreno sagrado de outra que não aquela com a qual foram rotulados. Ora, tenha paciência. O artista, como tal, não pode confinar suas angústias nesta ou naquela manifestação, se sua necessidade de expressão extrapola o veículo. Sejamos menos caretas. Como diria Wilde, esqueçamos o autor e vejamos a obra. Não que o autor não seja importante, porém, estamos chegando a um ponto onde essa invasão de privacidade está se tornando ridícula. Quando sentamos num teatro ou vamos ao cinema ou visitamos uma galeria ou lemos um livro ou escutamos um CD, não deveríamos nos preocupar se este ou aquele é poeta e está atuando, é músico e está dirigindo, é pintor e está iluminando etc. Se estudou, pesquisou, se aperfeiçoou, sabe o que está fazendo e faz bem feito deixemos o coitado em paz. Em paz com a arte, porque, se o “caboco” for ruim, ela se encarregará de expulsá-lo para bem longe da sua órbita.


imagens da estrada de Santos

5 comentários:

Cláudio Marconcine disse...

Ainda bem que blogueiro não é, necessariamente, jornalista.

diariodoandre.com disse...

A postagem foi em cheio. Engraçado como tranquilamente sempre escrevi poema, toquei violão, fiz música, escrevi histórias, mas descompromissado e sem vontade de seguir carreira em qualquer arte. Sou jornalista por fatalidade às vezes penso; para ter a possibildiade de estar conectado a um porrada de coisas ao mesmo tempo sem preocupações, sem definições.

P.S Marconcine e seu rancor com jornalistas, ahahaha! Abraço!

André Lucap disse...

belas fotos

André Lucap disse...

que ponte é essa?

Marcelo Flecha disse...

São as curvas da estrada de Santos...