sábado, 9 de agosto de 2014

Projetando sonhos


Enquanto apresentamos Pai & Filho [toda segunda-feira, às 19h, na Rua do Giz, 295, com entrada franca (adoro parênteses retos)], e ainda realizaremos seminários e leituras dramáticas, o momento é de projetar o ano de 2015. Projetos, aos borbotões, começam a ser esboçados, confeccionados, desenterrados, reinventados no intuído de continuar fazendo a única coisa que sabemos: teatro. Editais exigem projetos. Projetos são desejos não realizados que sempre tivemos e que, em determinado momento, o sistema nos autorizou a sonhar. Publicar um livro, montar uma banda, viajar pelo país com uma peça de teatro, escrever um romance... Sonhos, que em meados da década de oitenta estavam mais para delírios – lembrem sempre que falo de um passado no interior do Maranhão. Hoje podemos sonhar. Posso. Claro que sou engajado, e sei de todos os problemas que nos cercam, conteúdo do discurso que vocês estão acostumados a ler por aqui. Sei também que se novas políticas culturais públicas municipais, estaduais e federais eficientes não forem implantadas corremos os risco de morrer de fome já em 2015. Contudo, quem viveu como eu o passado de querer fazer teatro, não pode jamais se distanciar dele ao ponto de não enxergar as conquistas conseguidas depois de tanto lutar. Hoje a profissão é uma realidade. Outrora o amor provido pelo amadorismo era o combustível. Foi a nossa resistência que obrigou o poder público a se lembrar de que tem gente no país que insiste em fazer teatro. A conquista é nossa e o resultado está aí, por isso, não me queixo. Alguns podem dizer que fazer um projeto não é trabalho para um artista. Penso que todo projeto é um sonho indo para o forno. Eu não consigo imaginar ninguém pensando nossos sonhos melhor do que nós, artistas que os sonhamos. Romântico, outra vez. Mãos à obra, de arte!

5 comentários:

Flávia Teixeira disse...

Acho muito importante toda essa reflexão!
Eu borbulho... vou deixar fruir...

É importante que os projetos existam!
É importante que saibamos sonha-los.
Projeta-los!
E principalmente que saibamos procurar novas formas de manutenção e sobrevivência.

A pergunta que sempre me faço é como não se tornar escravo desse mecanismo?
Como usa-lo e ainda sim continuar Livre.


Nesse sentido vejo muitos grupos aqui em sampa que diante desses editais passam e passaram por várias experiências:

- os que através desses editais conseguiram maior espaço e representatividade na cidade. E isso está ligado diretamente a conquista de uma espaço, uma sede, o lugar da artesania.

- os que só sobrevivem desses editais e são especialista na escrita e aprovação deles. Porque com o tempo também aprendemos a reconhecer como se escreve, quais as palavras que não podem falar, as citações e etc... enfim...

- os que romperam essa forma de produção e a utilizam mas não ficaram escravos delas. Pois ganharam uma vez, uma segunda e em uma terceira não conseguiram nenhum... E aí veio a crise e os aprendizados também.

É importante que cada vez mais o artista possa saber gerir todo o processo, desde o pensar o projeto, seus sonhos, execução, orçamento, produção, presente, passado e futuro ... tudo.

E a partir daí encontrar meios de questionar essas formas também.

Enfim, não desapareça...
Sua reflexões são importantes...
As vezes desapareço, mas sempre passo e bebo.

Beijo carinhoso a todos da Cia.

Marcelo Flecha disse...

Que saudades de você aqui, Flavinha! Acho que o importante é entender o entorno e resistir. Hoje são editais, ontem eram projetos embaixo do braço, amanhã, quiçá, sejam fundos de cultura que respeitem o artista. Nesse torvelinho estamos nós, artistas que resolvemos dizer através do teatro e lutamos para não comprometer nossos dizeres em prol do sistema. Um dos instrumentos é este, a reflexão que você, lucidamente como sempre, nos ajuda a fazer. Beijos, e um amor eterno.

Loquazes disse...

Belo compartilhamento! Nós que fazemos tteatro em Caxias do Maranhão nos alegramos e recebemos ânimo com toda a trajetória da pequena companhia de teatro! Em meio as dificuldades e até de espaço para ensaio, podemos sonhar e trabalhar para colher frutos!

Abluir Produções disse...

É isso mesmo Flecha ... que o sonho nunca acabe e se temos que passar por caminhos as vezes nem tão prazerosos, mais que garantem o sonho de ser realizado, pois que passemos... e vivas para o projetar de sonhos e que só cresça e aumentem as possibilidades. Evoé Pequena CIA de Teatro. Evoé...

Marcelo Flecha disse...

Salve, Cássia! Sonhar é preciso!