domingo, 18 de agosto de 2013

O que pensa um diretor em fim de montagem?


E tudo ganha forma. Como tenho insistido aqui, o caos criativo é o melhor caminho para a concepção, embora ele nos atropele com inseguranças, medos, dúvidas, receios – pântano natural de quem cria sobre o vazio. O momento do caos é, sem dúvida, o pior momento da montagem, o mais dolorido, o mais assustador. Esse momento inicial passou e tratei dele anteriormente – basta ir rolando o blog e as revelações surgirão. Agora, não mais. Agora, tudo é acendimento. O vácuo deixado pelo caos nos dá carona e as soluções surgem organicamente. É como se o momento de caos servisse para concentrar toda a fortuna criativa num caldeirão de significados e, a partir daí, tivéssemos uma fonte de ideias disponíveis e oferecidas no exato momento em que são necessárias. Esse é o motivo do sereno fervor que me toma nos últimos dias. Tudo se resolve com uma precisão sígnica que me faz respeitar ainda mais o processo. Se a dor foi a mais profunda já vivida por mim em um início de montagem, o prazer é diretamente proporcional a ela, e cada hora de ensaio, cada jornada de confecção, cada reflexo produzido pela posição de um refletor migram da angustia para a serenidade. Este é o momento presente. O melhor de tudo é que não tem mais volta. Agora tudo é definitivo, e o espetáculo já diz como será. O espectador gostará? Por enquanto eles têm nosso suor e estas parcas palavras. É o que tem pra hoje. Mas não se animem, o amanhã ainda demora.

PS: Quem me conhece deve estar questionando meu conceito de caos (risos).
 

7 comentários:

Raphael Brito disse...

E por mais que o momento caótico do processo criativo nos cause essa 'instabilidade' motriz na mente criativa. Este é, sem dúvida, um dos momentos mais prazerosos, em que o impulso dos estímulos pulsantes do corpo, surgem com uma espontaneidade exageradamente transgressora. Evoé Pequena Companhia!

Luciana Duarte disse...

Não tem mais volta! Todo processo de montagem vai do caos ao êxtase total. Alucinógeno do bom! Tudo que toca vira ouro, como diria primoroso. Parabéns a todos! Querido mestre, querido professor!

Marcelo Flecha disse...

Obrigado, Raphael. É sempre bom ler sua opinião por aqui, apareça! Querida Luciana, você está muito sumida dos comentários, já me trocou por outros, né? Paciência...

Luciana Duarte disse...

Nunca! Jamais! Que beicinho é esse? rsrsrsrsrs!

Cordão de Teatro disse...

Um brinde ao caos! Um brinde a esse novo trabalho! Saudades de degustar um vinho contigo Marcelo. Beijos.

TonySilvaAtriz disse...

Esse é o Marcelo flecha que eu conheço,sempre nos questionamentos, isso é o sinal da criação.Pensamentos de interrogações faz com que o trabalho saia primoroso.Conheço um pouco as suas Dúvidas e as respostas dada é o espetáculo.Como estais?

Josué Redentor disse...

E na verdade o fim será sempre um novo começo para o evento teatral. E o maior ganho está na preocupação do encenador com o seu espectador. O teatro é jogo, e assim sendo,acontece da troca do sensível do esteta/criador e de quem a observa. O encenador do futuro,de vanguarda,pensa no público como parte integrante da obra desde de sua criação aos movimentos efêmeros que acompanharam sua trajetória.