domingo, 7 de julho de 2013

Argila no trono

 
 
Amigos de plantão, não esperem a estreia de Velhos Caem do Céu como Canivetes antes do final de agosto. Estamos no sexagésimo ensaio e tudo indica que esta montagem demandará uns noventa, próximo do exigido em Deus Danado – espetáculo que mais tempo de montagem demandou usando o Quadro de Antagônicos, com cento e dois ensaios. É a argilosidade do fazer teatral que o torna tão encantador. Pouco nele é concreto. Pai & Filho estreou com sessenta e sete ensaios, Medeia com uns quarenta e cinco (?), Entre Laços com trinta e sete, d’O Acompanhamento não lembro bem. Argila. Em todos os casos foi adotada a mesma prática metodologia – não necessariamente os mesmos procedimentos. Todos seguiram trilhos semelhantes e todos aceleraram, descarrilaram, dobraram, estancaram, desenfrearam e chegaram de acordo com suas necessidades e especificidades. Argila. Cada processo dita uma nova máxima, faz suas próprias exigências, postula novos dilemas, revela  curiosos caprichos, camufla grandes desafios, apresenta surpresas ou surpreende por não apresentar problemas; cada montagem é única e múltipla. Como falei, teatro é argila, e meter a mão na massa é muito bom. A presença diária do Ser Alado e do Ser Humano na sala de ensaios apresenta alguns sinais do espetáculo que vocês verão: o tom, suas temperaturas, a atmosfera, as ambiências de conflito, a paleta de cores, os ritmos, os ritos... Para tudo aparecer se precisa de tempo, e o tempo de um espetáculo não pode ser medido cronologicamente. Como poderia dizer o Ser Alado, o que determina o tempo de uma nova montagem são as nossas sensações.

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