sexta-feira, 1 de abril de 2011

O que penso sobre o teatro contemporâneo

Teatro contemporâneo é o teatro feito na contemporaneidade, hoje e em qualquer lugar do mundo. É como história: uma se vive e outra se conta.

Diferentemente da historicização estética das artes, que ilustra bem as diferentes épocas da história antiga e moderna, as inquietações dos artistas envolvidos e o contexto da sociedade existente no momento, o teatro produzido hoje não reflete uma estética definida, mesmo porque, a efemeridade do teatro difere das outras artes, que têm como sustentar-se no tempo: um livro impresso, uma tela pintada, uma escultura preservada.

O fazer teatral era focado especificamente no texto. Era ele quem conduzia a encenação. Com isso, o texto tinha definição temporal, classificável. O teatro, enquanto encenação, pode até ter classificação, mas não se restringe ao/no tempo.

Hans Thies Lehmann, teórico alemão, foi o responsável por cunhar o termo pós-dramático para o teatro. Essa ruptura se deu dentro na dramaturgia textual a partir de Beckett, dramaturgo irlandês. Com isso, as possibilidades de um teatro focado mais especificamente na encenação e não no texto se expandiu. Deu lugar a outras dramaturgias que não a do autor, como a do ator, da cenografia, da iluminação, do figurino.

Nessa perspectiva penso que o teatro contemporâneo, então, deveria mostrar os conflitos do homem e da sociedade contemporânea num universo em que o texto dramático não existiria mais, não fosse mais possível montar com ele, dada a urgência de outras questões que o texto literário não fosse mais capaz de dar conta. Porém, essa ruptura é ineficaz quando percebemos que o teatro, hoje, a partir desse distanciamento do texto dramático, passou a ser múltiplo em demasia. Muita informação, muito signo. Isso em teoria, pois na prática, o que ocorre, é uma repetição de práticas antigas. Sugere-me que o homem de hoje não se apercebeu da real dimensão do teatro pós-texto literário-dramático.

Inevitável dizer que por essas multiplicidade de possibilidades, o jargão “vários teatros possíveis” existe para dar sustentação a uma prática ineficaz e ineficiente do teatro que se faz hoje, mas que é datado no passado. Por hoje nada diz, nada sugere, nada propõe.

Tenho visto menos de teatro do que deveria. Tenho gostado pouco do teatro visto.

2 comentários:

lauandeaires disse...

hoje pela manhã um amigo perguntava o que eu pensava sobre o teatro contemporâneo. Disse-lhe que como síntese de tudo que já foi possível fazer em teatro, com o cuidado de deixar claro o que se pretende comunicar com tal ou qual influência.disse-lhe mais, o que realmente vai importar nesse teatro contemporâneo será o fato deste fazer ou não algum sentido para este homem contemporâneo.

diariodoandre.com disse...

As passagens "há muito signo, muita informação" (acho que é o contrário) me parece ser um reflexo que extrapola o teatro, que está em tudo que fazemos hoje em dia e com certeza em tudo, há repetição de práticas antigas, há falta de consciência ou no mínimo de uma consciência mais abrangente. Tenho visto pouco teatro. Abraço, Cláudio.